O que eu faria diferente parte 1 – Viagem de reconhecimento

TARDIS (clique para saber mais)

Você já pensou em voltar no tempo e fazer algumas coisas diferentes? Faz uns dois anos que virei fã do seriado inglês Doctor Who, que aqui passa no canal Space – canal de sci-fi para nerds como eu. O interessante nessa série é que o protagonista é um Time Lord e como tal vive em uma máquina do tempo, com a qual ele viaja para qualquer ponto no tempo e no espaço.

Será que se eu tivesse minha própria máquina do tempo eu voltaria para mudar algumas coisas? Eu daria alguns conselhos para o eu mesmo no passado? Como não posso voltar no tempo, posso divagar sobre coisas que eu faria de forma diferente em relação a nossa aventura no Quebec. E usando o blog como uma máquina do tempo, vou discorrer sobre algumas dessas coisas.

Tema 1 – Viagem de reconhecimento

Confesso que nunca cogitei essa possibilidade. Parece meio louco agora pensar que alguém vai deixar tudo para trás e vai se mudar para um novo país, de mala e cuia e com duas crianças pequenas; mas sem nem sequer conhecer o país para onde está indo. Mas foi isso que fizemos e muitos outros imigrantes o fazem.

Havia motivos para não cogitarmos essa possibilidade. Primeiro, não tínhamos os recursos necessários, segundo porque acreditamos no depoimento de amigos que já moravam aqui, ou que tinham feito a tal viagem de reconhecimento. E no fundo havia aquele espírito de aventura que nos impelia a ir na cara a na coragem… e aí que mora o perigo.

A importância da viagem de reconhecimento

Por mais que seja feita uma pesquisa sobre cultura, modo de vida, mercado de trabalho e outros aspectos, muitos imigrantes chegam aqui sem uma noção completa do que os espera. Para aqueles que realmente tem um espírito aventureiro, tudo é um gostoso desafio, mas outros sofrem muito para se adaptar e se sentem desanimados e até mesmo deprimidos ao perceber que algumas coisas são diferentes daquilo com o que haviam sonhado.

É comum, e triste, ver algumas pessoas que chegam e tem uma decepção tão grande que voltam após algumas semanas ou meses. Outros, com experiência em viagens pelos Estados Unidos, estranham o lado “Europeu” de cidades como Montreal e Ville de Quebec e descobrem que o sonho deles era na verdade viver em Toronto, Vancouver, ou mesmo em New York.

Outros se decepcionam com os imóveis antigos da região central das cidades, prédios com estrutura de madeira, paredes de gesso que mais parecem papelão e até mesmo com visitas inesperadas de insetos e camundongos. Experiência muito diferente das casas de sonho dos filmes de Hollywood.

Existe ainda a questão do clima, nesse caso o reconhecimento deve ser feito no inverno. Viver um inverno que dura 6 meses e ter o sol se pondo as 4 horas da tarde não é para qualquer um.

Esse são apenas alguns exemplos de coisas que deixam o recém chegado aflito e apreensivo. Uma viagem de reconhecimento evitaria muitos desses choques e pode servir para confirmar o sonho de imigrar, justificar uma desistência ou, quem sabe, definir um ajuste de planos.

Viajando na máquina do tempo

Então que conselhos eu daria para o meu eu no passado? Faça uma viagem de reconhecimento! E eu responderia para mim mesmo: não dá não tenho recursos! E nada mudaria.

Sempre achei que seria impossível, no mínimo paradoxal, mudar o passado. Mas, se faltam recursos, ainda é possível entrar em contato com os que já estão aqui e  pesquisar ao máximo. O segredo é procurar os defeitos e problemas da região aonde você pretende morar da mesma forma com que sonhamos com as coisas boas. E, acima de tudo, investir no espírito de aventura porque é preciso, e muito.

10 opiniões sobre “O que eu faria diferente parte 1 – Viagem de reconhecimento

  1. Oi pessoal, a dica é ótima. Também acho super importante fazer uma visita de reconhecimento prévia. Nos dias de hoje com tantos recursos mudar de mala e cuia pra um país que não conhecemos é mesmo muito bizarro. Fico imaginando a coragem dos meus bisavós, por exemplo, que vieram pra cá com no máximo uma ideia do que seria, de navio numa viagem que durava dias sem internet pra pesquisar nem manter contato com a família. Loucura!
    Mas o meu problema é o mesmo que o seu, ou viaja antes ou junta dinheiro… Então seja o que Deus quiser! hehehe
    Abraços,
    Tereza

  2. Ei, Sandro. Amei seu post!

    Eu fui muito sortuda em conhecer Ville de Québec antes de pensar na Imigração. Fui visitar minha irmã, que já está por lá desde 2008 com marido e filhos.

    Apesar de ter ido no verão, deu para se ter uma noção da cidade, de alguns costumes (pois fui a um jantar na casa de uma família québcoise) e principalmente observar de perto prós e contras que os imigrantes passam.

    Voltei apaixonada por lá. Uma pena que meu marido não pôde ir, pois ficaria onero$o demai$ ):

    Desde então mergulhamos de cabeça nesta vontade de zarpar e (re)começar nossas vidas em outra nação. Se eu não tivesse conhecido Ville de Québec, talvez a história seria outra!

    Agora a ideia da máquina do tempo aguçou minha imaginação. Eu acho que voltaria para saber o motivo e tentar resolver o atraso horroroso do Consulado!

    Abraços
    Nilian

  3. Adorei o post, e compartilho da mesma opinião. Apesar de me considerar “aventureira’, acho complicado se atirar assim no desconhecido…rs
    Por isso, eu e marido fizemos uma viagem de reconhecimento, pois tínhamos pesquisado algumas cidades e queríamos ver pessoalmente cada uma, pra tentar tomar uma melhor decisão. Conhecemos Vancouver, Toronto e Calgary, no inverno, pq era uma preocupação minha saber exatamente como eu me sentiria, se conseguiria me adaptar…logo de cara pegamos -18graus em Calgary!
    Foi ótimo ter feito isso e recomendo a todos que pretendem imigrar.

    Abraços!

  4. Engraçado que com o tempo a gente vai se dando conta das diferenças de percepçoes entre os “culégas”, o que só faz o todo ficar mais legal. 🙂
    Nós nao fizemos a viagem de reconhecimento também, preferimos deixar os recursos para “pagar mais 6 meses de aluguel” (virou nossa moeda de conversao) e até hoje nao nos arrependemos e faríamos de novo sem essa viagem 🙂
    Além disso, quase todo mundo que conheci que veio para cá em viagem de reconhecimento, acabou mais turistando, mesmo tentando ver a vida real, o que reforçou minha impressao que só vivendo mesmo as agruras do dia-a-dia e com o passar do tempo é que a gente pode realmente saber se é bom ou ruim, se foi igual, melhor ou pior do que imaginávamos.
    Agora a idéia de vir no inverno e ver qual é a verdade do inverno pode realmente ser uma boa. Pq. as vezes o quadro é pintado bem mais feio do que realmente é, e as vezes também as pessoas levam muito menos a sério do que deveria.
    E é bem verdade que dizer “tchau, to indo para um país que eu só sei o que me dizem dele e que fica no alto do mapa mundi” soa muito louco (e é!! rsrs).

    abraços
    Erika

  5. Eu fiz a viagem de reconhecimento e não tenho dúvidas que toda a minha experiência de imigração teria sido diferente se eu tivesse feito de outra forma.

    O imigrante demora muito tempo para começar a realmente aproveitar da cidade, e passar esse tempo aqui como turista antes me ensinou muito sobre como aproveitar da cidade enquanto está passando os perrengues da vida diária. Isso ajuda no quesito FELICIDADE e SATISFAÇÃO da imigraçõa, que para mim são fundamentais para os recém chegados não perderem a esperança no porvir.

    Também pude ter o real contato com a(s) língua(s) que me aguardava(m), e pude me preparar muito mais e estar mais pronto para encarar as dificuldades que vêm para todos os que chegam.

    Vale o custo? Com certeza! É preciso pensar que vc tem uma vida inteira depois para agradecer o investimento 😉

  6. Oi, Sandro!

    Então… Eu fiz a viagem de reconhecimento e nunca cogitei a possibilidade de imigrar sem fazê-la. E isso se deve a uma só palavra: inverno. Como disse a Érika, o povo pinta o quadro invernal com umas tintas tão feias que, mesmo preferindo frio ao calor, eu achei que talvez pudesse não dar conta… Foi então que partimos em 2010, nas duas últimas semanas de dezembro, antes mesmo de dar entrada no pedido de CSQ, pra que eu pudesse conhecer o frio horripilante.

    E foi ótimo! Por mais que fiquemos apenas turistando, foi ótimo sentir frio de verdade, ver que a neve não morde (até morde, mas não arranca pedaço), olhar pra cara dos canadenses, sentir “a alma” das cidades, sabe? Foi assim que descobrimos que eu amo La Capitale Nationale, mas o Rafael não; que ele moraria facilmente em Toronto, mas eu não… Enfim, eu não teria coragem de me mudar sem conhecer.

    Claro que no nosso caso a viagem foi mais fácil pois não temos filhos e tivemos lugar para ficar de graça tanto em Toronto quanto em Montréal, o que jogou os custos da viagem lááááá pra baixo!

    Penso que cada caso é um caso e que é melhor fazer a viagem de reconhecimento, mesmo porque o processo demora TANTO que rola de juntar novamente a grana gasta na viagem. Mas caso não role de jeito nenhum (por ex. teve gente que tentou ir, mas não conseguiu visto de turista) não é por isso que a pessoa vai deixar de imigrar, né? 😉

    Abraços,
    Lidia.

  7. Bueno Sandro,

    Para mim foi fundamental passar uma “temporada” de 1 ano completo vivendo na Cidade do Québec, sendo visitado pela esposa justamente no inverno (do Natal de 2008 ao fim de Janeiro de 2009) para termos uma noção real de como seria a vida por aí, e desistirmos da imigração ao QC. Ela, particularmente, ficou chocada com o frio, até hoje qualquer coisa abaixo de 25oC, ela já se sente “congelante”. No meu caso, a questão de ter que usar um “traje lunar” para sair de casa para uma caminhada, que seja ao armazém da esquina para voltar com a cerveja, ou que seja para arejar as ideias, é realmente penoso. Cada vez que sair de casa tem que colocar o “traje” e quando chega é preciso tirá-lo. Ou então ficar dependente do carro para qualquer coisa, isso realmente não me agradou, pois eu gosto mesmo de ficar ao ar livre, numa temperatura que eu consiga respirar e preferencialmente com roupas leves. Fica então a dica para quem tiver restrição ao frio, que passe um inverno completo em Ville de Québec, chegando em outubro e ficando até abril, que é o período real de inverno na minha concepção.

    Abraço e bom inverno!
    Fabrício

  8. Olá Sandro,

    Gostei do Post. Nós fizemos viagem de prospecção no inverno, e a parte boa foi que conhecemos as cidades do Québec, conhecemos o frio que as pessoas falam tanto, e aproveitamos pra já decidir qual bairro gostaríamos de morar e já imigrar com o plano para achar o imóvel para alugar. (isso foi muito útil já que alugamos o apto temporário por 20 dias).

    Mas embora perceba que muitas das histórias que conheço sobre decepções teriam sido resolvidas com uma simples viagem de 4 dias por aqui, acho que para conhecer todas as facetas do país que deseja morar, somente passando por todas as partes, ou seja, ficando na cidade que deseja por 1 ano e passando por todo o ciclo das estações e da cidade…. o que é inviável para muitos.
    Logo, muitos imigram e fazem do primeiro ano de imigrante o seu “ano de teste”, então sempre qdo vejo um conterrâneo ir embora, penso “A cidade não passou pelo período de experiência”…

  9. Pessoal,

    Para os que planejam fazer a viagem de reconhecimento, o que sugerem que seja visto para ter noção de como seria a vida por aí?

  10. Olá Caio,

    Vou listar alguns dos pontos que considero importantes a serem analisados durante a viagem de prospecção. Alguns itens são automáticos, outros exigem correr atrás.

    1. Experimentar se virar em outra língua. É importante sentir na pele como é ter que se comunicar numa língua que vc não domina completamente. Imagine-se estudando ou trabalhando nessa língua.

    2. Conhecer um pouco mais sobre a sua área de atuação. Vale tentar agendar uma visita no emploi Quebec, ou numa ordem de trabalho, ou até mesmo numa empresa.

    3. Vivenciar o clima – nesse caso vc terá que vir no inverno para saber o quão adaptável vc é ao frio.

    4. Conhecer as cidades e escolher com mais propriedade onde vc irá morar assim que chegar. Montreal é diferente de Ville de Quebec que é diferente das cidades do interior do Quebec que são diferentes das cidades do resto do Canadá. Saber o que você quer da sua nova casa é muito importante para evitar desilusões.

    5. Dar uma olhada no mercado imobiliário, ver quais são as opções de imóvel que cabem no seu orçamento. Os imóveis aqui em Montreal são meio caidinhos, então é bom ajustar expectativas em relação a preço e qualidade.

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